domingo, 20 de agosto de 2017
Cora Coralina 128 anos
[O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher.]
Aniversário de seu nascimento, a grandiosa poetisa goiana que deixou seus versos para o mundo todo. Parabéns Cora por seu legado, pois naquele 20 de agosto de 1889, nos presenteava com os seus mais belos sentimento.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
domingo, 28 de maio de 2017
terça-feira, 21 de março de 2017
21 de março dia mundial da poesia
![]() |
| Adélia Prado |
Neste dia deixo três poesias registradas: Ensinamento de Adélia Prado, Difícil ser funcionário de João Cabral de Melo Neto e A casa de Pensão de Roberto Marcelo.
Ensinamento
Adélia Prado
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Difícil ser funcionário
João Cabral de Melo Neto
Difícil ser funcionário
Nesta segunda-feira.
Eu te telefono, Carlos
Pedindo conselho.
Não é lá fora o dia
Que me deixa assim,
Cinemas, avenidas,
E outros não-fazeres.
É a dor das coisas,
O luto desta mesa;
É o regimento proibindo
Assovios, versos, flores.
Eu nunca suspeitara
Tanta roupa preta;
Tão pouco essas palavras —
Funcionárias, sem amor.
Carlos, há uma máquina
Que nunca escreve cartas;
Há uma garrafa de tinta
Que nunca bebeu álcool.
E os arquivos, Carlos,
As caixas de papéis:
Túmulos para todos
Os tamanhos de meu corpo.
Não me sinto correto
De gravata de cor,
E na cabeça uma moça
Em forma de lembrança
Não encontro a palavra
Que diga a esses móveis.
Se os pudesse encarar...
Fazer seu nojo meu...
Carlos, dessa náusea
Como colher a flor?
Eu te telefono, Carlos,
Pedindo conselho.
Roberto MarceloA casa de pensão
Não vejo meu paiNem meus pésOs devaneios todos acorrentados em cordinhas de varalEu vivo no último bastiãoNo meio do peito uma solidão a me torturarO chão repleto de coisasNeste mesmo chão uma antípoda desejando-me saídaNão saioAs portas se abremAbrem-meÁguas para todos os tamanhos de meu corpoPobreza divididaMiseráveis migalhasMiseráveis que somos todosNos olhos vejo arrastar-se uma intifadaE meus gritos de socorroInúteisO velho, o comandante e velhos tangosFalou, me disse:É a casa de todosÉ a casa de um qualquerÉ a minha casaA casa de pensão!
quinta-feira, 16 de março de 2017
A mulher cananéia
A mulher tem a compreensão sobre a lei dos judeus, suas práticas e crenças. Por certo ouviu dizer sobre o Messias esperado por seu povo, pois chega ao ponto de chamá-lo "filho de Davi". Ela tem um problema sério social e de saúde, agravado pelo fato de ser sua filha acometida de um mal avassalador e tudo o que havia aprendido sobre a lei, perdeu sua devida importância e a ética que reina em seu coração é apenas a cura da filha, pois a ética transforma-se em fé.
Os discípulos do mestre queixam-se para que ele logo a mande embora, a mulher não esta sendo ética e não se encontra a altura deles, que pensam merecer a atenção de Jesus, logo ela que vem gritando atrás deles como uma desesperada.
Em Jesus, percebo que procura provocá-la, no sentido de querer arrancar o melhor da mulher, sua virtude, fé e seu amor e quando a mulher o faz, referindo-se as migalhas, pois humilha-se quando Jesus lhe é ético fazendo-se cumprir a lei e o propósito do messias. Seus discípulos enxergam na mulher um enorme problema, porém Jesus encontra um meio de amá-la e respeitá-la.
sexta-feira, 3 de março de 2017
Chiquinho
Francisco Pereira dos Santos foi meu
pai. Nasceu no estado da Paraíba, na cidade de Solânea, antiga Vila de Moreno,
cidade que teve seu nome inspirada nas Solanáceas um tipo de fruto encontrado
em abundância naquela região, distante da capital João Pessoa aproximadamente
em cento e quarenta e cinco quilômetro no dia cinco de junho de mil novecentos
e vinte oito, por curiosidade foi registrado apenas em doze de maio do mesmo
ano, costume cultural dos cidadãos daquela cidade.
Teve uma infância difícil, trabalhou
na roça, dois vícios que lhe acompanharam por anos a fio, o cigarro e a
cachaça, o amor profundo por sua mãe Maria Olivia da Conceição, os irmãos que o
respeitavam e o pai que quase não falava sobre ele e, estudou até a segunda
série do antigo primário. Aos dezoito anos partiu para João Pessoa e de lá
apanhou um navio e rumou para São Paulo, à terra que adotou e sempre dizia:
deu-me tudo que tenho. Chegou à terra da garoa em meados de mil novecentos e
cinquenta, foi morar em uma pensão, como já escrevi em uma poesia, o último
bastião, andou de bicicleta e de bonde, assistiu pela primeira vez a Luiz
Gonzaga em um televisor, tocou sanfona e gaita, teve alguns amigos, conheceu
Iraci Maria e casaram-se, tiveram cinco filhos são eles: Terezinha Maria,
chamava-lhe dona Tereza, Maria Lucia, dá mesma forma Dona Maria, Solânia que
lhe deu o nome de sua cidade natal e chamava-lhe por Dó, Rita de Cássia, também
dona Rita e este que lhes escreve, Roberto Marcelo ou apenas Tché.
Francisco aos quarenta e quatro anos
em decorrência do vicio em cachaça, o desemprego que lhe surrou e o
desequilíbrio emocional, tentou o suicídio. Conta que no dia três de dezembro
de mil novecentos e setenta e dois, subiu no parapeito da velha ponte Vila Maria
e tendo a intenção de jogar-se dali, ouviu a voz divina de Deus, a lhe
encorajar que não o fizesse e, retornou para a via, conseguiu um emprego que
seguiu até a aposentadoria e nunca mais bebeu novamente.
Pela vida criou os filhos a
distância, já que vivia mais no serviço que em outro lugar, sem férias ou
folgas entregou-se a Selmec seu mais precioso trabalho, trazia os lanches que
ganhava de madrugada no emprego, para casa e a família que por vezes não tinha
o desjejum pudesse comê-los pela manhã, por vezes a esposa o alertava: Chico
não teremos nada para comer no dia de hoje e o velho Francisco entregava a
marmita que levaria ao trabalho, depositava nas mãos da mulher para que os
filhos pudessem comer aquele alimento tão importante, e Iraci lhe questionava:
e você o que comerá? Respondia a mulher, eu me viro Iraci, e com sua pequena
bolsa de tecido partia para a labuta. Desistiu
do mar, bebeu café, viajava de trem todos os dias, era um exímio prensista, os
irmãos o visitavam em casa, perdeu dois dos dedos da mão direita em uma prensa
na empresa, e passou a ajeitar os óculos com os três dedos que lhe restaram, detestava
as greves dos metalúrgicos que o impediam de ir ao trabalho, um dia, dizia ele,
que olhou para o céu com sua cara pegadora e disse a Deus: não fumo mais e
jogou os cigarros que portava ao lixo para nunca mais os adquirir, aposentou-se
e nunca mais teve patrão.
Um dia ao chegar em casa o encontrei
carpindo o terreno baldio ao lado, perguntei-lhe: o que faz ai pai? Ele
respondeu-me: vou plantar algumas coisas... Meses depois ali havia milho,
chuchu, mandioca... Perguntei-lhe: onde aprendeu a plantar assim? Ele me
respondeu, quando era moço em minha cidade natal o fazia como faço agora, o
autodidata não esquece o que lhe esta na vida. Houve tempo para outro acidente
grave, caiu do telhado e quase perdeu a vida, mas forte como era prosseguiu,
agora com a perna da fratura mais curta que a outra, mesmo assim com o apoio de
uma bengala retornou suas caminhadas pelas ruas da velha Itaquera. Chiquinho
era o nome que escolhera para o chamarem com carinho, inventou palavras e nomes
como: quem tem com que me pague não me deve nada, cherengo dengo, Zé Borunga,
Borito, réve nigh ninh flith, macaco é dezessete e o rabo é pra trás, estou com
a cachorra, tudo azul, nada como um dia atrás do outro e uma noite no meio,
risca o fósforo taca fogo e sai de perto, isso é qualidade de gente? Com a mão
direita sem os dedos a lançava para trás e dizia: não vem hoje! o estudo e a musica nunca acabam...
No ano de dois mil e três, eu possuía
um aparelho de telefone celular, e o toque que identificava chamadas recebidas
era de uma música linda que por mais que me esforçasse não conseguia
identificá-la, se fora modificada eletronicamente. Certo dia, ao conversar com
um colega de sala no curso de jornalismo, coloquei o toque para ele ouvir, a
saber, se ele conhecia a tal musica. Ele me disse que procurasse por um amigo
dele em um sebo no centro da cidade e fui. O amigo identificou a música sendo
de Johann Sebastian Bach – Tocata e Fuga em Ré Menor. Anos mais tarde, ao
presentear meu saudoso pai com um DVD do mestre Sivuca, assisti junto de
Chiquinho o grande sanfoneiro tocar Tocata e Fuga em Ré Menor em sua sanfona
mágica e pensei: A vida é mesmo uma grande busca!
Já no final da vida foi perdendo seus
amores, a mãe falecera na cidade natal paraibana, e assim foi sendo Luiz
Gonzaga, Ayrton Senna, a esposa Iraci, os cunhados e irmãos e por fim Sivuca o grandioso
sanfoneiro. Nasceram-lhe os netos, teve vitiligo, cozinhava para si, foi morar
com a filha que mais amava, em cirurgia arrancaram-lhe a vesícula supurada, a
perna e, partiu. Mas antes da partida para o mundo dos espíritos, ainda no
leito da morte teve a maior decisão que um homem deve conceber. A filha Dó lhe
fez o apelo e ele aceitou o grande Salvador, o Cristo bendito, O Senhor Jesus,
o rei e, assim pode partir em paz a encontrar aquele que o salvara. Apenas para
registro.
Assinar:
Postagens (Atom)




